sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O que é Melhoria?

Segundo Juran (1998), significa processo organizado de criação de mudança útil; obter níveis sem precedentes de desempenho. É sinônimo de quebra de paradigmas.

Podemos observar que não existe melhoria se não houver uma mudança com utilidade, então como é pode existir Desperdício de Melhoria? Existe. Vamos contextualizar uma situação, vou sair do contexto pessoal para o empresarial.

Estamos na era do consumo, onde todo mês existe um lançamento de celular, televisor, rádio, mp3 player, notebook, livro, computador, automóvel, treinamento, entre outros. Não fica difícil imaginar a quantidade de produtos e serviços que são adquiridos pelas pessoas e empresas que não são nem de perto sinônimos de quebra de paradigmas.

Maslow em 1975 definiu a pirâmide das necessidades, são quatro os fatores que influenciam o consumo, são os fatores culturais, sociais, pessoais e psicológicos. Muitas melhorias realizadas nas empresas são para suprir essas necessidades e não para quebrar de paradigmas. O único paradigma quebrado é o do caixa da empresa.

Existem pessoas que compram um celular novo a cada lançamento, com objetivo de fazer uma melhoria. A melhoria é ter um aparelho mais leve, portátil e com mais funções. Que nunca serão usadas. As empresas adquirem produtos e serviços com o objetivo de melhoria, mas nem sempre são registrados índices de melhoria.

Até meados da década de 1990, os softwares eram desenvolvidos em Clipper, atualmente ainda existem diversas empresas operando com sistemas baseados nesta linguagem de programação, mas a moda do momento é aquisição de licenças de uso de sistemas corporativos ERP (Enterprise Resource Planning / Sistema de Planejamento de Recursos).

O índice de empresas que deixam de usar um software corporativo e voltaram para mesa de projetos para o desenvolvimento de sistemas in house é muito grande. Falhas no planejamento, implantação ou adaptação podem ocorrer e levar ao desinteresse pelo novo sistema. Ainda temos as empresas que implantaram com sucesso e operam esses sistemas, mas na maioria dos casos não utiliza grande parte dos recursos disponibilizados pelo software. Hora por ter adquirida licença de uso, com menor custo, que não permite o acesso, outrora por não entender a necessidade da ferramenta.

Em ambos os casos, as empresas que deixam de utilizar o sistema por problemas de adaptação e as que não utilizam todas as funcionalidades do sistema, existe um Desperdício de Melhoria. O buraco entre a capacidade do sistema e o que está em uso é desperdício.

Os softwares baseados na plataforma Windows são considerados mais amigáveis, por serem operados com o mouse e possuir telas com janelas que facilita o acesso de informações, porém têm a mesma função do sistema desenvolvido na linguagem de programação Clipper, embora suas limitações ele atende as necessidades computacionais dos softwares transacionais. Os softwares transacionais são sistemas onde os usuários realizam a alimentação de informações no banco de dados, ou seja, uma tela com campos em branco que precisam ser preenchidos.

A necessidade de consumo por tecnologia gerou o Desperdício de Melhoria neste caso. A substituição de produtos, tangíveis ou intangíveis, é uma ação tomada que não geram redução de desperdício.

Esta é a introdução do primeiro capítulo sobre o tema, foi apresentado o primeiro fator que cria a tendência da geração de desperdício e conseqüentemente da melhoria, o consumismo de tecnológico.

Não sou contra a melhoria dos processos, o objetivo é criar uma metodologia de análise que auxilie na tomada de decisão. Apoiando o processo cognitivo de tomada de decisão com ferramentas de análise dos Desperdícios de Melhoria.

A quebra de paradigmas deve ser aplicada até mesmo a quebra de paradigmas. Questionar a quebra de paradigmas é quebrar paradigmas.

Referências bibliográficas:
IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD. 2007.
JURAN, Joseph M; GODFREY A. Blanton. Juran’s quality handbook. New York: McGraw-Hill. 1998.
OSSAMU Carlos. O que vem primeiro? O processo ou o ERP?. 15/07/2008. Info Corporate.
GONSALVES, Eliana Lucia. São as ações tomadas que não geram redução de desperdício. São Paulo: Universidade de São Paulo. 2004.


Creative Commons License
Desperdício de Melhoria by Paulo Dias de Souza is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.